quinta-feira, 4 de agosto de 2011

escrevendo

falando sozinho
tagarelar infundado
vagando ao abismo cinza
matéria orgânica
processo de decomposição
somos eu
sou
cada vez parado mais
perco tempo bastante
para sonhar novamente
falo sozinho
sentidos apurados
penso sozinho
sozinho a impressão
de que só tenho
o que escrevo

telhas

antes do fracasso
vejamos os melhores caminhos
perseguimos vozes distantes
que cagam mentira boca a fora
soma desigual dos fatos ermos
não fazer nada contragosto
olhos errados cansam
olhe bem para mim
indiferentes somos eu e tu
quietos ao silêncio das plantas secas
rodeado de pedaços plásticos
telhado de vidro infectado
onde a mão chegar não quer
verdade sua desacraditada
se fosses competente como achas
não temias pelo próprio cu

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

tardar

parvo sentimento
caloroso conforto bastasse
não sermos indiferentes
perante chuva fraca eu
avistei avisos frenéticos
inalando cuidadosamente fumaça
ávido de melhoras congruentes
demoro
volto em tardia
caso seja estrito
temo por minha cabeça
errante em tormento muito
fui
fresta lacerada manchas alvas
túnica dos supliciados
face frente a morte
sabedoria esquemática
vindos e idos agora tarde
chego ao ponto de sorrir
imaculado de sofrimentos diteis
deixo de lado o choro
embora tarde eu sigo
vou

terça-feira, 2 de agosto de 2011

esperar-te-ia

subterfúgios
das caracteristicas de
pretenção desassisada
endemia carcamana
vende se vende
pequenas vozes
corações québricos
tendo fogo arder
ei de pecar pouco tarde
amores eternos
miudezas não necessárias
fraco de natureza
ébrio desajuste neural
amei-te eu pouco demais
errei cada coisa pequena
fiz de nada conta
teve jeito quebra-se tudo
outrora nada sorrirá
nem vontade tenho eu
não vou ter
ficar
sem querer 
pretendo voltar
espere-me em porta 
braços e corpo
espere-me

andança

mais que o tempo possa parecer castigo, não vejo a hora de tentar prever o futuro e dizer-te que cansei-me das mesmas besteiras pregadas a cara minha. outra vez que se foi rapido demais a vontade passageira de ter de conta uma felicidade pouco duradoura, eu vi em outras vezes tantas quantas fossem, para muito distante da nossa triste e pequenina realidade acidentada, a verdadeira noção de felizes sermos nós. mesmo assim tentei e repeti diversas vezes a fábula, impregnada de contrastes mórbidos, ao dizer-te sempre estar algo em que nunca me tive antes. e antes que tardasse demais eu tentei. puta que o pariu. como eu tentei fazer de nós mais que dois meros andarilhos descalçados postos a sangrar ao relento, deitados de peito para cima, esperando a chuva lavar nossa cara repugnante. se ouvisse melhor com tuas próprias orelhas, e não castrasse nossos sentimentos toda vez que prontificássemos a combater o vigor insaciável da inércia preguiçada, chegassemos talvez em algum lugar nós. mas não andamos ainda. nem um pouco nem nada.