terça-feira, 9 de agosto de 2011

gestos



portões metálicos trancafiados
separam meros lamentos forçados
pronunciam lentamente
verdadeiramente insignificante a fuga
ficou ausente tempo pouco

carecemos de pequenos gestos obscenos
que traduzem dor insistente
remetem ao oco preenchimento
dos olhos que tanto oferecemos

tendo o fator inacabado
querendo mais que outros
ficar não inerte tanto
perdeu em momentos errantes
curtos demais para nós

domingo, 7 de agosto de 2011

falatório dormente

avassalam dementes
palavras poucas
da boca suja nossa
verdades espinhentas
ser sobre o que seja
o demônio a espreita
funga nossa lamúria
deliciando-se corpo
pedaço a pedaço arranco
trépidos olhos não abrem
veja tanta merda colecionada
em frascos devidamente herméticos
muito dizemos
falatório dormente 
em retóricas anchas
cospindo rebordosa ignorância
de tua minha enegrecida gargantas
versos insossos das lembranças
já tempo não mais nossas

queda

horizonte longínquo
inescusável frigidez
capengamos pasmos
com resultados anamórficos
indagando o apriorismo
ousadia de pobres nós
mesmos eu e poucos
isometricamente amo
pouco sei resposta
calo-me quando suposto
avistando ao ralo
palavras amantes do medo
faço proveito do nada
abstenho de mutualidade
tão quão longe o bastante
não vejo ao caminho ninguém
arrependo em decisões patéticas
passo curto em frente movo
ao buraco descer em caída
para voltar não atrás
implorar tudo de novo

sábado, 6 de agosto de 2011

erro

dúvida
escolhas precisas
indecisas?
certamente imperfeito
fraco de caráter
erro
sempre o mesmo medo
passo frente
trás...
volto ao ponto de zero
ficar ir partir voltar
qual caminho seguir?
ficar aqui parado
acumulando remorso
melhor opção para que?
decepcionar o próximo
talvez seja esse, eu.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

jocosamente contagiante

pena moral
jocosamente contagiante
espatifamos ao outro
berro de agonia falta
infausta soberba
temos conta de nós outros
vemo-nos entrefolhos
onde idiossicrasia simbiótica
grita soluços frágeis
perto de vagas lástimas
aviltamos vezes muitas
a faculdade intuitiva
onde postos a errar
compramos consciência
depreendendo-nos
as conjecturas lógicas
quando corpo nosso
recusa entender
expiramos meios sintéticos
amamos depressa nós
com a fobia insistente
de sermos tão imorais