terça-feira, 11 de outubro de 2011

as lâmpadas

acendendo os poucos filamentos em que guardo todos os meus  segredos, te vi sorrindo sem nada nos dentes, entre os dedos amarelados e então cansei de tossir demais. o cheiro da boca, da erva daninha que some na brasa, estalando sorrisos forçados, antes tarde suficiente em estragos estagnados e pecados, mesmo que depois de sairmos de casa, cansados desse nosso vazio desvairado, amamos outros nós em exagero.  ao abrigo do medo avistamos lâmpadas amarelo alaranjadas, espalhadas em ordem simétrica, guiando rumo ao desencanto, eu tu e castigo.  ainda sonho com as noites tantas em que éramos inocentes crianças afobadas, incitando vontade do desconhecido, cansados de perder de vista, escondíamos nós em pequenos pedaços enfurnados no lixo do outro e riamos a toa de tanto chorar e sofrer. contamos as horas em que esperamos sentados o lado de fora chamando para a gente voltar, mas ainda não voltamos.

sábado, 8 de outubro de 2011

prazer irremediável

a mais profana qualidade que ostentamos
prazer irremediável 
estremecidos pernas 
perdidos em caminhos opostos 
voltados os olhos ao mesmo lugar  
miúdez obscena 
saciamos vontade 
e aos poucos ficaram restos 
por menores que fossem 
sofremos suficientes remorsos

molduras

ao passo que caímos
pedaços de nós caminhos opostos
vejamos entre quadros
molduras erráticas
herméticas sensações de conforto

procriando pasmos palavras
em que momentos uns inferiores
nos aquecemos pouco de mais
visamos concórdia e benefícios
juntando acidentes programados
entramos em conflito
e saímos derrotados

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

calligraphie

la souffrance

punition des fous


le cirque est parti


sourires estatiques


la mort


bénédiction


nostalgie


adieu

o visionário

decrépito visionário
de idônea lascívia
ronca forte peito
encharca-se tu em vapor aquoso
arriscando nós passos dignos dos imbecis
fraquejamos diversas vezes rumo
ao que contrário presumo vejo falho
arrancando mágoas aos cachos
podres emaranhados 
vulgos em sabedoria
esquecemos o caminho
geramos falhas visíveis
sabemos pouco de nada
onde calo boca tua com lamúrias
irráscivel horda de espasmos
arrumada em devaneios esporádicos
onde cume criatividade cessa
vemos ignorância
como salvação desesperada