domingo, 8 de janeiro de 2012

cala-te boca

expresso-me em redundâncias
falo demais
boca fechada não entra moscas
faço de conta uma verdade
acredito em pouco tempo resta
cada pedaço de vontade
que dá e passa
passou tempo atrás
que de muito
cansou e foi embora
carrega o que não resta
na boca do orgulho
do fumo do desejo
que mata e engorda
e larga de mão
em agradecimentos não suficientes
e troca de favores
cala eu essa boca que não fala
não sabe o que dizer
e diz de pouco caso que faz
muito ainda a questionar

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Agorafobia

minha fobia agora arde garganta 
esconde-se em restrições furtivas
desconhecendo cada passo do lado de fora
volto a mim sem sorriso que seja
dentes ou qualquer artificio
que me faça lembrar do que pode ou não
ser considerado uma forma estável
de felicidade

olhos cansados

em quando local que seja
vejo tu em olhos cansados
tarda-se noite em silêncio e vazio
grito a tu
teu nome
palavras quais puder ouvir

dentes afiados

o rato que rói
cansa
passa a vida a roer
em buracos escuros
silêncio
fuga
fuga

feio de aparências
certo
que medo
causa
assusta
delicado
a roer
resvalando
onde
fica
quieto
pianinho
escondido
em imundices
tantas
velhacarias
aqui
e ali
mais uma roedura
que ódio cultiva
a fome
que bate
em peito de rato
e rói rói rói

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

rabiscos

espero em pernas cansadas
diversificando formas outras
e solidão que acalenta
acalma em pequenas restrições
deixando de lado vontade que passa
volta em retalhos e retratos
desconhecidos rostos
sorrisos apáticos
mostram-me os dentes
calo-me em boca de outros
expressando sensações de vazio
e ao passo que miúdo de fato
atrofio em razões e descuidos
no pouco que resta desisto
vez que fosse eu procuro
e ainda em local impróprio
crio e te escrevo em rabiscos