quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

pecados justificados

hipotéticamente chegam ao paraíso azul e dourado e corpo reflexo naturalmente movimento em carne viva 
momentos
ode a nostalgia
dos pecados justificados
em sombra que tanto
sorriram


sábado, 4 de fevereiro de 2012

tapetes baratos

reflexo de vultos nossos
perdidos aos vidros
em pedaços e chão
poeira
nem fato que diga
fossemos diferentes
em olhos ou mãos
ou expressões faciais
desdenhamos o destino
pouco se foram os dedos
arrastados em tapetes baratos
debaixo de tanta sujeira
para trás ficaram os restos
e as doses que embriagam
não anestesiam mais












vestes alvas

enquanto tempo insiste em dizer amargamente verdades enfiadas em garganta abaixo em que esofago ou estomago não aguentem vomitaram eles em suas escadas em caminhos ordinários ordenados em fé apologia a ignorância mostram suas faces em olhares inquietos direcionados ao pouco que conforta benção dos imbecis tolos e suas máscaras disformes mordaça que fecha túmulos deseja e regurgita diversas formas de medo ou algo que se pareça caindo em mãos erradas mãos sujas e sorrateiras guardam consigo coroa de espinhos e ouro enquanto saciam os abutres em suas vestes alvas esperando menor sinal de descuido



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

farinhar

de primeira
dia outro
mesmo pesar
em manhã de escuro
aberto o céu se cala
de longe fumaça
pedaços de lenha
carvão
apressa o forno
lenha ardente
fogo brando
pouco a pouco
mói mói mói
laboriosamente
estorvo
suor que alimenta
cloretos
aperta coa aperta
torrando lentamente
por causo que
em cidade é diferente
e comida na roça
não nasce pronta








cobertores

andaram eles todos em rastros pequenos em desnorteio. seguindo cheiro que se sentia distante, impermeabilizado em cascas grossas de suor e sujeira, exalando em olhos cansados ardor outro que ficara pendurado em gargantas secas e ardidas, dia após outro. forçando moleiras contra o calor que arrebentava-lhes ombros e costas. sentiam em mãos banhadas a sangue, o rodear das moscas varejeiras, enquanto cada vez em longe se iam. ao caminho que a frente esperavam, nada aparecia. colhiam as bernes e acariciavam as chagas espalhadas em todas as partes de suas carnes vivas. descamisados em pés pelados, amamentados pelo desejo, visto em que mundo melhor o fosse, cimento e fumaça e cheiros desagradáveis. vender-se-iam corpos em filas e debaixo de escadas, duvidando de tudo que entrar frente aos seus facões e navalhas. olhos destemidos, em rostos fechados, sem sorriso e dentes. em confiança de desespero, janelas e fileiras de metal enferrujado, outros em pressa e descuido, aos papelões e cobertores queimados, diferente lugar agora este, lar.