quinta-feira, 8 de março de 2012

maquiagem infra neural

maquiando-me expressões
recinto em cantos e recantos
ao destemido conhecido de antes
fascinado em medo e luxúria
olhares e vulgaridades
saídas rápidas 
por detrás de costas largas
ombros amigáveis
esquecíveis
engolir-se-ão todos
desencantos e verdades
arranhadas garganta abaixo
pequenos descuidados
em marcas a carne viva
das letras carregadas
em amor e lascívia
atiram contra vontade
cambaleando em casa contrária
muros murros murmúrios
abstratos guiados 
imperfeições em perfeita ordem
re-ordenados


quarta-feira, 7 de março de 2012

calmaria

um gole
para curar a dor
em peito que vazio
transborda
mãos não já tremem
mais
arde o céu em vermelho
garganta
lágrimas e desabores
amargos
a pouco recanto
acalma-te nervos
nervos raivosos
felicidade acostumada
com fumaça de cigarros
e ressaca








letargia

insaciável insônia 
em lugares aproximados 
visões do futuro 
turvas feito água de barro 
e molduras detalhadas 
mãos que afagam e pecam 
flores e cheiros e tragos 
abrigados em sensações 
anestesiadas 
confortados em cama 
lençóis e aparatos delicados 
nos sonhos impermeabilizados 
guiando-se em feixes fluorescentes 
prazeres materiais 
sintéticos e vibrantes 
desencadeando energia vital 
átomos e membranas 
das verdades que enganam 
amansam em colo e ternura 
a quem nunca sonhou acordado





sexta-feira, 2 de março de 2012

pronome pessoal

pernas trêmulas
descalçando
entendimentos e ternuras
mais um pouco
desinibindo proteínas

em amor
às paredes










reflexologia

em pele e reflexo
encontrar-te sombra
escondendo em cantos
pequenos movimentos
descontrolados
acertando acasos erros
amor ou outras baboseiras
em cada sorriso
avistar em lágrimas de partida
o desejo que castiga
em diferente similaridade
aos ombros e ternuras
sapatos usados
cadarços desamarrados
passo a passo
aquecendo-se em cigarros
em toque recolher
os cacos
simetricamente espalhados
pelo chão