quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
por que junto sem acento
naquele guarda-roupas velho
esquecido no canto de lá da parede
mofo e naftalinas baratas mortas
elas faziam de tudo para sair
e a moldura na parede esqueceu
de todas as fotografias reveladas
não eram preto e branco
esse tempo já passou
por que aquele frasco de remédio
sempre muda de lugar e esvazia aos poucos
alguns dias mais rápido que os outros
o frenesi e o fiasco de se tentar sorrir um pouco
nem era funcional ou importante
exercitar os músculos da face
só com cigarros e copos cigarros copos
e algum motivo em alguma carta perdida
para levantar e jogar o cobertor de lado
no chão ou arrastando um pouco no chão
não por inteiro
sair e calçar os chinelos
sem tirar as meias
muito trabalho para poucos resultados
sair e levantar e fazer um café
simplesmente aproveitar o dia
nada demais
depois deitar e dormir de novo
sem tirar as meias
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
esfera de vidro cheia de água e neve artificial
pequeno mundo imperfeito em detalhes
modos e cuidados largados nas calçadas
as noites e os mesmos efeitos anestesiantes
as horas incontáveis de palavras escritas
o grito amargo preso indefeso
no que fazer ou pensar em dizer
os sorrisos e todas as ilusões
em um frasco refratário esterilizado
em cima da estante
na prateleira mais alta
um mundo inteiro de brinquedo
que neva quando virado de cabeça para baixo
domingo, 2 de dezembro de 2012
desconstruindo a insônia
se dormir fosse no mínimo importante
as horas de sono fariam todo o sentido
diferentes eram sonhos e vontades
realidades e fatos e desacatos
os medos descarados e o chão que mergulhamos
em toda cordialidade
nossa falta de sossego crônica
daqueles momentos que voltam e ficariam para sempre
se não fossem apenas momentos
seriam todos os outros significados de qualquer outra palavra
ainda assim teríamos onde dormir e acordar
se fosse preciso ou bastante pertinente
dormiríamos até de tarde
o último fumante da terra
nas impossibilidades mais descuidadas
que aprendo minha falta de habilidade
encosto nas fáceis banalidades do acaso
acendo um cigarro e espero qualquer sinal
um isqueiro nas mãos certas
pode ser muito mais do que um simples isqueiro
pode ser uma fábrica de fogo
uma fábrica de sonhos
até quando acabar o gás
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