segunda-feira, 19 de maio de 2014

vídeo cassete

o mesmo tempo era de voltar atrás
a unanimidade da insegurança
tentamos afoitos remar para de volta
dos braços calados do nosso lar
tenho por onde me segurar
e escolher os melhores momentos
em um retrocesso rápido demais
nos antigos aparelhos de rebobinar
era mais que um pouco de perdão
e ter tido tempo a vida toda à toa
satisfaz o menor dos cuidados
em todos os menores pecados
as imagens e monocromos
nos meus olhos platinados
repleto de elétrons rejeitados
era ainda tempo de voltar atrás

domingo, 18 de maio de 2014

uma e quarenta e seis

temos os mesmos sabores em nossos lábios
tanto comemos terra e fincamos raízes
levamos nas costas as ferramentas
necessariedades tantas
estamos muito longe de onde começamos
morremos de medo do esconderijo
nossa cama é insegurança tanta de outros
dormimos em qualquer lugar que faça o escuro
sem importar o verdadeiro sentido da vitória
somos derrotados e não exibimos a vergonha
estaremos em mesmos destinos e horas distintas
de ser o cansaço desde o início de qualquer dia
as diferentes formas de hemorragia
em todo o restante de nossas vidas
onde esperamos todos os restos de nossas vidas
todos os pequenos pedaços espalhados
onde nada que viesse realmente nos atingiria

quinta-feira, 15 de maio de 2014

cobertores e manchas de cigarro

a dor é mais bela em olhos dos outros
das vozes em que damos a vontade
um meio de comunicar-se
a carne que escorre dos nossos olhares
o fogo da roupa estendida 
impregna o querosene de afoito
morremos de medo do fósforo
caímos de pés descalçados
somos o fim e as cobertas enegrecidas
somos os sabores da igualdade metafísica
resvalamos em misérias verdades
diferimos em lados opostos
sobrepostos
sobre atentos
desatentos e sonhando de sono
dormimos de mãos acordadas
temos as máquinas e a sombras que respiram
e suspiros e fluídos corpóreos
onde guardamos os recados
e esperamos até de manhã

terça-feira, 18 de março de 2014

língua dos anjos

todas as vezes em que caímos do céu
assistimos vendados a vaidade

nos pecados de anjos derrubados
e na morte

todos os seus cuidados
os lugares inacabados
as mais fornicadas paisagens
para amar os outros em primeira pessoa
sempre deixamos de lado
a quem nos perdoa

toda a beleza em partir

o afago da faca afiada
nos braços que um dia
carregaram-te à cama
fazem do choro
toda a ternura em partir
toda a beleza em ficar