São as três horas da manhã
de outra nascente do sol
Mitocôndrias e barbitúricos
A língua seca que lambe o cal
A lama descama a pele dos insetos
Mortos de fome
Renascidos da córnea devorada
Perder a vista é a menor intempérie
Nascemos vertiginosamente cegos
Filhos de luz e Afrodite
A beleza que conforta os dentes
Aquece os vermes
O dissabor desse maldito frio
Ofusca a dor do morto
Que ser corpo e alimento
De micróbios e bactérias
quarta-feira, 17 de maio de 2017
sábado, 2 de julho de 2016
eu teu corpo moradia
Fecundo o fruto caído de chão e arquétipos
De tantos outros trejeitos cinéticos
A mecânica do tilintar em frascos herméticos
Amarrado do lado de lá das entranhas
Engrenagens que fabricam o alimento
Do corpo se comem apenas os dentes
As unhas de roer e imacular movimentos
Respirar e dizer o que acreditar eu acreditaria
Mas de mentiras dormentes e dedos
Mastigados em glote de vidro e cimento
O que era de não respirar inspiraria
Respirar e soprar e estripar os pedaços
O conforto demasiado do engasgo
de garganta e de boca na boca e corpo
O pigarro que mata a sede e sufoca
Enforca percorre e disseca as aortas
Refestela os alvéolos dos que engolem artérias
Tenho por dentro ainda o seu gosto
De toda a decadente matéria
Tenho por dentro ainda o seu rosto
Que guardo de pele e pecado
Tenho ainda por dentro o seu corpo
E todas as bactérias
De tantos outros trejeitos cinéticos
A mecânica do tilintar em frascos herméticos
Amarrado do lado de lá das entranhas
Engrenagens que fabricam o alimento
Do corpo se comem apenas os dentes
As unhas de roer e imacular movimentos
Respirar e dizer o que acreditar eu acreditaria
Mas de mentiras dormentes e dedos
Mastigados em glote de vidro e cimento
O que era de não respirar inspiraria
Respirar e soprar e estripar os pedaços
O conforto demasiado do engasgo
de garganta e de boca na boca e corpo
O pigarro que mata a sede e sufoca
Enforca percorre e disseca as aortas
Refestela os alvéolos dos que engolem artérias
Tenho por dentro ainda o seu gosto
De toda a decadente matéria
Tenho por dentro ainda o seu rosto
Que guardo de pele e pecado
Tenho ainda por dentro o seu corpo
E todas as bactérias
batimentos mecânicos
Não saberia que ter medo do relógio
Das lâmpadas apagadas e horas perdidas
Bocas silenciosas
Naturezas mortas e sombras
Dorme de outra vez agora
Do outro lado da cama
Banalizando o ruidoso sossego
Das vozes que ouço são cegas
De ponteiros e batimentos mecânicos
Nos escombros do escuro que escondo
Coração e músculos outros
Que laboram a inaudível orquestra
Da perseverante ausência de sono
Das lâmpadas apagadas e horas perdidas
Bocas silenciosas
Naturezas mortas e sombras
Dorme de outra vez agora
Do outro lado da cama
Banalizando o ruidoso sossego
Das vozes que ouço são cegas
De ponteiros e batimentos mecânicos
Nos escombros do escuro que escondo
Coração e músculos outros
Que laboram a inaudível orquestra
Da perseverante ausência de sono
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
O conhecimento empírico das mãos que nunca foram lidas ou digeridas corretamente
Das mãos que de trêmulas
Disfarçam um sabor diferente
A fim de sanar os pecados do outro
Enfim
Sóbrios desleixos da noite
O escuro justifica o afoito
Meio de torto e trejeitos
Minha sombra de dúvida que habita
Mora de longe e morre de fome
Fome do que morre a roer
E matar por pecado qualquer
As unhas fincadas na pele
Que de pele e aparências estamos
Existir e ser
E estar é tempo suficiente
Dormente de toques e rosto
O desejo que de morrer lentamente
Na cama em que faz
O rangido dos dentes
Sonhar o indescritível conforto
De almofadas ortopédicas
E dedos indiferentes
Disfarçam um sabor diferente
A fim de sanar os pecados do outro
Enfim
Sóbrios desleixos da noite
O escuro justifica o afoito
Meio de torto e trejeitos
Minha sombra de dúvida que habita
Mora de longe e morre de fome
Fome do que morre a roer
E matar por pecado qualquer
As unhas fincadas na pele
Que de pele e aparências estamos
Existir e ser
E estar é tempo suficiente
Dormente de toques e rosto
O desejo que de morrer lentamente
Na cama em que faz
O rangido dos dentes
Sonhar o indescritível conforto
De almofadas ortopédicas
E dedos indiferentes
terça-feira, 15 de setembro de 2015
o gosto do sal
supostamente existindo
em um infinito metafórico mar de sal
afogados em barcos de ferrugem e lama
enquanto gastamos saliva em descer
o que há de melhor fica embaixo
entre nervos e deformidades
tudo que nasce de nós é pecado
virtudes e vícios acostumados
às remelas e erudições silábicas
cantaroladas no amargor do cloro
dos labios que ridicularizam o choro
do outro que nasce de morto
de fraco caráter ou carências vulgares
esbanjando dentes e vestidos impecáveis
milagres impertinentes dos elétrons apodrecidos
em um infinito metafórico mar de sal
afogados em barcos de ferrugem e lama
enquanto gastamos saliva em descer
o que há de melhor fica embaixo
entre nervos e deformidades
tudo que nasce de nós é pecado
virtudes e vícios acostumados
às remelas e erudições silábicas
cantaroladas no amargor do cloro
dos labios que ridicularizam o choro
do outro que nasce de morto
de fraco caráter ou carências vulgares
esbanjando dentes e vestidos impecáveis
milagres impertinentes dos elétrons apodrecidos
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