o infimo fio que tece incertezas
menospreza o acaso e incumbe desdenhos
não certamente o enfático ressalvo ao desgosto
era gosto demais para poucos pares de língua
machucado demais e coleções de selos perdidos
o dissabor da íngua e o amargo do choro
as horas perdidas que passavam depressa
o tempo que salva nada em reclame do agouro
o amor de boca pra fora que respira e afoga
que respirar o ar é devaneio imundo
o saboroso humano que mais que tudo respira
faz da boca o algoz ante ao fulguroso mundo
sou de boca do lixo e amor de esgoto
sou de boca à fora e por lá que em for
dormirei em paz
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
água régia
teu cloro em formato de corpo que forma
cores e chora o amargo que entorna da água régia
tanto em não beber e matar a sede de ontem
correr no mesmo lugar dos passos impacientes
o passar do tempo ainda contado em relógio
paredes e teto sabem de todas as danças
e da melancolia da cama
vazia
do lençol ser vitima de tantos passados
que nem foram ainda por o trem
a estagnação mesmo o quanto infinita
na medida bulímica para imediatos
ser o ato e ter tudo o que puder carregar
era só o perfume que ficara
em mãos escarnificadas de tanto lavar
cores e chora o amargo que entorna da água régia
tanto em não beber e matar a sede de ontem
correr no mesmo lugar dos passos impacientes
o passar do tempo ainda contado em relógio
paredes e teto sabem de todas as danças
e da melancolia da cama
vazia
do lençol ser vitima de tantos passados
que nem foram ainda por o trem
a estagnação mesmo o quanto infinita
na medida bulímica para imediatos
ser o ato e ter tudo o que puder carregar
era só o perfume que ficara
em mãos escarnificadas de tanto lavar
ponto continuativo
cortei fora minhas asas quando aprendi a voar
o caminho de volta para casa já é outro
cansei de respirar o ferro em meus pulmões
tenho horas ainda para permanecer acordado
e lembrar de um mundo que não é meu
o que o dia me trás mesmo eu que possa roubar
roubo de mim e deixo do lado de fora da porta
na calçada debaixo do tapete onde não tenho convite para entrar
é por ali a sorte mais duvidosa tirada em mãos trepidantes
de medo do agora e de morrer do que for para verdades de outros
fazer de conta que a estória sempre acaba
e encanta os tantos infinitos finais felizes
no melhor deles que espero o fim
para que enfim de mim
um ponto por
o caminho de volta para casa já é outro
cansei de respirar o ferro em meus pulmões
tenho horas ainda para permanecer acordado
e lembrar de um mundo que não é meu
o que o dia me trás mesmo eu que possa roubar
roubo de mim e deixo do lado de fora da porta
na calçada debaixo do tapete onde não tenho convite para entrar
é por ali a sorte mais duvidosa tirada em mãos trepidantes
de medo do agora e de morrer do que for para verdades de outros
fazer de conta que a estória sempre acaba
e encanta os tantos infinitos finais felizes
no melhor deles que espero o fim
para que enfim de mim
um ponto por
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
sonhos infinitos
o cognitivo desprazer que transcende a culpa
do incógnito torturar o que não saber
a água que escorre entre os dentes de fome
fazem o sufoco que nutre líquidos corpóreos
lúgubres atentados ao pudor e causas divinas
a obra de arte que atenta o encarnado
nas mãos que restam o sossego de casa
deixa sozinha a criança morta no berço
anda de noite por entre vielas fulgurosas
para que não tenha os olhos e vidraças
não enxergar o indelével prazer do obscuro
do lugar escondido debaixo das escadas
onde são fabricados os mais belos dissabores
os sonhos infinitos e o tempo impaciente
prostrados na urgência em acabar
a água que escorre entre os dentes de fome
fazem o sufoco que nutre líquidos corpóreos
lúgubres atentados ao pudor e causas divinas
a obra de arte que atenta o encarnado
nas mãos que restam o sossego de casa
deixa sozinha a criança morta no berço
anda de noite por entre vielas fulgurosas
para que não tenha os olhos e vidraças
não enxergar o indelével prazer do obscuro
do lugar escondido debaixo das escadas
onde são fabricados os mais belos dissabores
os sonhos infinitos e o tempo impaciente
prostrados na urgência em acabar
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
os perigos do mundo
a frágil mente que guarda segredos
em gavetas trancafiadas e dedos escorregadios
juntados em bolsos de remendos e misericórdias
sorriso dos dentes esquecidos e amarelados
e o amarelo perde toda a intensidade da cor
o sol não chega mais perto de onde estiver
perdi a chave no meio do caminho e não sei voltar
ainda não são onze horas e a noite insiste em demorar
pra detrás de toda plantação que cresce impaciente
a plantação que morre e renasce e apodrece
revigorando os cantos mais escuros e esquecidos
fincando nas sombras onde tem casa permanente
assim como todos os que já saíram
escondidos em espelhos que condenam cada movimento
num lugar qualquer distante longe de tudo e distante
de quaisquer perigos do mundo
ficaremos aqui todas as noites até o medo passar
em gavetas trancafiadas e dedos escorregadios
juntados em bolsos de remendos e misericórdias
sorriso dos dentes esquecidos e amarelados
e o amarelo perde toda a intensidade da cor
o sol não chega mais perto de onde estiver
perdi a chave no meio do caminho e não sei voltar
ainda não são onze horas e a noite insiste em demorar
pra detrás de toda plantação que cresce impaciente
a plantação que morre e renasce e apodrece
revigorando os cantos mais escuros e esquecidos
fincando nas sombras onde tem casa permanente
assim como todos os que já saíram
escondidos em espelhos que condenam cada movimento
num lugar qualquer distante longe de tudo e distante
de quaisquer perigos do mundo
ficaremos aqui todas as noites até o medo passar
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