todas as vezes em que caímos do céu
assistimos vendados a vaidade
nos pecados de anjos derrubados
e na morte
todos os seus cuidados
os lugares inacabados
as mais fornicadas paisagens
para amar os outros em primeira pessoa
sempre deixamos de lado
a quem nos perdoa
terça-feira, 18 de março de 2014
toda a beleza em partir
o afago da faca afiada
nos braços que um dia
carregaram-te à cama
fazem do choro
toda a ternura em partir
toda a beleza em ficar
nos braços que um dia
carregaram-te à cama
fazem do choro
toda a ternura em partir
toda a beleza em ficar
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
gaveta de meias usadas
todos os seus sapatos amaram a prateleira de cima
os anos vulgares ficaram para depois de amanhã
todas as marcas que colecionamos
ainda estão espalhadas pelo carpete
o melhor caminho era sempre para trás
e trouxemos conosco as vontades passageiras
salivando e roendo os ossos até os ossos
a água que mata a sede e a vontade do veneno
a necessidade da vida eterna e eternamente morrer
morrer por dentro de cada pedaço que sobra
somos a sombra do que nos mente o espelho
assistimos as horas passando sorrateiras
ainda que tarde demais
saberíamos nos proteger
sempre escondemos o ato principal
atrás das cortinas vermelhas
não temos ainda muitas escolhas
para que tenhamos nossa vontade de volta
os anos vulgares ficaram para depois de amanhã
todas as marcas que colecionamos
ainda estão espalhadas pelo carpete
o melhor caminho era sempre para trás
e trouxemos conosco as vontades passageiras
salivando e roendo os ossos até os ossos
a água que mata a sede e a vontade do veneno
a necessidade da vida eterna e eternamente morrer
morrer por dentro de cada pedaço que sobra
somos a sombra do que nos mente o espelho
assistimos as horas passando sorrateiras
ainda que tarde demais
saberíamos nos proteger
sempre escondemos o ato principal
atrás das cortinas vermelhas
não temos ainda muitas escolhas
para que tenhamos nossa vontade de volta
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
a arte de apagar a luz
somos os mesmos velhos rebentos de vanguarda
de qualquer forma não levantaremos
damos as costas para o abismo
somos filhos do demônio
sonhamos com o cinismo
dissolvemos e unificamos o silêncio
bocas fechadas saboreiam o conformismo
de todas as horas vagas em que passamos
abstêmios de nossos vícios
amamos nossas veias dilatadas
nossos dentes cansados de lamber
lambemos e imortalizamos o sufoco
obra do divino espirito de porco
deixamos os trocados ao lado da cabeceira
e sempre apagamos a luz
de qualquer forma não levantaremos
damos as costas para o abismo
somos filhos do demônio
sonhamos com o cinismo
dissolvemos e unificamos o silêncio
bocas fechadas saboreiam o conformismo
de todas as horas vagas em que passamos
abstêmios de nossos vícios
amamos nossas veias dilatadas
nossos dentes cansados de lamber
lambemos e imortalizamos o sufoco
obra do divino espirito de porco
deixamos os trocados ao lado da cabeceira
e sempre apagamos a luz
a insônia dos poetas contemporâneos
Somos a arte de perder o sono
a desgraça em unissono
olhos abertos e camas vazias
somos as trombetas esquecidas
em xícaras de cobre e zinabre
somos a roleta russa que não fala russo
que te tanto gritar a boca não cala
o relógio que marca o gemido da bala
o relógio que marca
que marca
a desgraça em unissono
olhos abertos e camas vazias
somos as trombetas esquecidas
em xícaras de cobre e zinabre
somos a roleta russa que não fala russo
que te tanto gritar a boca não cala
o relógio que marca o gemido da bala
o relógio que marca
que marca
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