guardo o tempo em um corpo fechado
que não entra moscas
boca fechada
cala-te boca
lembra-se dos versos cagados
reclamo o que tenho satisfeito
o desejo amargo de ter desejos
a hora da morte
beira da cama
a queda
até onde enxergam os olhos
cansados de acreditar em si mesmos
desesperadamente acompanhados do medo
do escuro
do sossego
a falta de vozes e cartazes luminosos
o ser ou não ser ninguém
não ter nada para fazer
e para sempre
todo sempre
sempre continuar a ser
o retrato de alguém
que não conheço
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Águas-vivas imortais
Não temos defeitos
Não tememos a morte e sorrimos para ela
Dançamos em volta dos corpos caídos
Desesperados por um pouco de compaixão
Somos frutos infecundos
De todas as mentiras do mundo
Guardadas em estantes e pilhas de ossos
A culpa por deliciar a boca em vaidade
Não há nada de errado por aqui
Consertamos os vazamentos e perdemos a chave
Desejamos um pouco mais de segredos mal contados
Temos tanto a esconder de todo o resto do mundo
De tantos rostos que escolhemos mascarar
Somos o que não querem que sejamos
Não podemos morrer
Negociamos nossas almas
Em troca da imortalidade
Deleitamos no veneno jorrado
Brindando o prazer maldito
De sermos eternamente jovens
Não tememos a morte e sorrimos para ela
Dançamos em volta dos corpos caídos
Desesperados por um pouco de compaixão
Somos frutos infecundos
De todas as mentiras do mundo
Guardadas em estantes e pilhas de ossos
A culpa por deliciar a boca em vaidade
Não há nada de errado por aqui
Consertamos os vazamentos e perdemos a chave
Desejamos um pouco mais de segredos mal contados
Temos tanto a esconder de todo o resto do mundo
De tantos rostos que escolhemos mascarar
Somos o que não querem que sejamos
Não podemos morrer
Negociamos nossas almas
Em troca da imortalidade
Deleitamos no veneno jorrado
Brindando o prazer maldito
De sermos eternamente jovens
quarta-feira, 5 de junho de 2013
senso de moralidade contemporânea
todos nós temos nossos próprios abismos
lugares seguros onde podemos
esconder nossos brinquedos defeituosos
nossa cara metade cortada ao meio
o mundo de todos os momentos
giramos tão depressa
em nossos próprios eixos
brilhamos em nossas vestes fluorescentes
dentes brancos e sorrisos para qualquer um
passando do outro lado da rua
movimentando a nós
cansavelmente
procriaremos um paradigma imperfeito
fruto de fezes e medo
na sarjeta no escuro desejo de ficar
um pouco de abraços apertados e adeus
matamos a lua e enterramos seu cadáver
onde nossa moral
achou lugar
não temos nada a perder
e tudo que ainda temos para ver
é um pouco de felicidade momentânea
não compensa os resultados
ainda ficou muito dos restos para depois
seguramos a mão de pastores famintos
que devoram ovelhas e lobos
deixaram um extenso rastro de sujeira
que usamos para lavar nossos rostos
de tantas maravilhas arquitetadas
próprias do ventre de outros
a sociedade nunca foi nosso pertence
deduzimos a verdade que ainda temos pela frente
tentando ganhar tempo suficiente
e escolhemos ainda assim esquecer
lugares seguros onde podemos
esconder nossos brinquedos defeituosos
nossa cara metade cortada ao meio
o mundo de todos os momentos
giramos tão depressa
em nossos próprios eixos
brilhamos em nossas vestes fluorescentes
dentes brancos e sorrisos para qualquer um
passando do outro lado da rua
movimentando a nós
cansavelmente
procriaremos um paradigma imperfeito
fruto de fezes e medo
na sarjeta no escuro desejo de ficar
um pouco de abraços apertados e adeus
matamos a lua e enterramos seu cadáver
onde nossa moral
achou lugar
não temos nada a perder
e tudo que ainda temos para ver
é um pouco de felicidade momentânea
não compensa os resultados
ainda ficou muito dos restos para depois
seguramos a mão de pastores famintos
que devoram ovelhas e lobos
deixaram um extenso rastro de sujeira
que usamos para lavar nossos rostos
de tantas maravilhas arquitetadas
próprias do ventre de outros
a sociedade nunca foi nosso pertence
deduzimos a verdade que ainda temos pela frente
tentando ganhar tempo suficiente
e escolhemos ainda assim esquecer
terça-feira, 4 de junho de 2013
constituição primária
com olhos contaminados
vermelho
cor do manto que nos cega
distanciamos as verdades que acolhemos
estampadas em recortes de jornal
acenamos adeus
nunca mais
não temos lugar para ficar
nossa casa é de rua e noite
gastamos nossos cérebros
brincando de deus
somos feitos de outros
cacos e retratos falados
da boca pra fora
o céu está maravilhoso
os traços foram para sempre
não podemos controlar
morreremos engasgados na moralidade
que não nos deixa
voltar para casa
vermelho
cor do manto que nos cega
distanciamos as verdades que acolhemos
estampadas em recortes de jornal
acenamos adeus
nunca mais
não temos lugar para ficar
nossa casa é de rua e noite
gastamos nossos cérebros
brincando de deus
somos feitos de outros
cacos e retratos falados
da boca pra fora
o céu está maravilhoso
os traços foram para sempre
não podemos controlar
morreremos engasgados na moralidade
que não nos deixa
voltar para casa
lugares não recomendados para guardar segredo
atenção aos decrépitos espalhados pela rua
soltaram os cães famintos sobre nossas carcaças
o que melhor nos descreve
daqui para frente tudo vai piorar
o medo da vida eterna
e uma bala ricocheteada em nossos dentes
um buraco aberto deixa toda a compaixão
perder de vista e viver às cegas
gota a gota duas vezes ao dia
cercas eletrificadas
me eletrifique
me eletro mate de fome
minha boca está cheia de vontade
teu sono me aprisiona
ficaremos para depois de amanhã
e nunca mais encontraremos o caminho de volta
somos arremessados como uma pedra
expostos pedaços crus de nós
deixados para acalmar os olhos amedrontados
descem pelo ralo
desaparecemos por completo
cabeça e idéias vagas
o vazio acolhe nossos herdeiros
sem sombra de dúvidas
abençoamos o sol
para assim acordar mais uma vez qualquer
nenhuma forma segura de correr
nenhum lugar confortável para nos escondermos
o fogo queima
cheira a carne em brasas
o solstício dos sorrisos não gastos
usamos pouco de nossa felicidade
e servimos de alimento para o mundo
soltaram os cães famintos sobre nossas carcaças
o que melhor nos descreve
daqui para frente tudo vai piorar
o medo da vida eterna
e uma bala ricocheteada em nossos dentes
um buraco aberto deixa toda a compaixão
perder de vista e viver às cegas
gota a gota duas vezes ao dia
cercas eletrificadas
me eletrifique
me eletro mate de fome
minha boca está cheia de vontade
teu sono me aprisiona
ficaremos para depois de amanhã
e nunca mais encontraremos o caminho de volta
somos arremessados como uma pedra
expostos pedaços crus de nós
deixados para acalmar os olhos amedrontados
descem pelo ralo
desaparecemos por completo
cabeça e idéias vagas
o vazio acolhe nossos herdeiros
sem sombra de dúvidas
abençoamos o sol
para assim acordar mais uma vez qualquer
nenhuma forma segura de correr
nenhum lugar confortável para nos escondermos
o fogo queima
cheira a carne em brasas
o solstício dos sorrisos não gastos
usamos pouco de nossa felicidade
e servimos de alimento para o mundo
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