sábado, 2 de julho de 2016

eu teu corpo moradia

Fecundo o fruto caído de chão e arquétipos 
De tantos outros trejeitos cinéticos 
A mecânica do tilintar em frascos herméticos
Amarrado do lado de lá das entranhas
Engrenagens que fabricam o alimento
Do corpo se comem apenas os dentes
As unhas de roer e imacular movimentos
Respirar e dizer o que acreditar eu acreditaria
Mas de mentiras dormentes e dedos
Mastigados em glote de vidro e cimento
O que era de não respirar inspiraria
Respirar e soprar e estripar os pedaços
O conforto demasiado do engasgo
de garganta e de boca na boca e corpo
O pigarro que mata a sede e sufoca
Enforca percorre e disseca as aortas
Refestela os alvéolos dos que engolem artérias
Tenho por dentro ainda o seu gosto
De toda a decadente matéria
Tenho por dentro ainda o seu rosto
Que guardo de pele e pecado
Tenho ainda por dentro o seu corpo
E todas as bactérias

batimentos mecânicos

Não saberia que ter medo do relógio
Das lâmpadas apagadas e horas perdidas 
Bocas silenciosas
Naturezas mortas e sombras
Dorme de outra vez agora
Do outro lado da cama
Banalizando o ruidoso sossego
Das vozes que ouço são cegas
De ponteiros e batimentos mecânicos
Nos escombros do escuro que escondo
Coração e músculos outros
Que laboram a inaudível orquestra
Da perseverante ausência de sono

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O conhecimento empírico das mãos que nunca foram lidas ou digeridas corretamente

Das mãos que de trêmulas
Disfarçam um sabor diferente
A fim de sanar os pecados do outro
Enfim
Sóbrios desleixos da noite
O escuro justifica o afoito
Meio de torto e trejeitos
Minha sombra de dúvida que habita
Mora de longe e morre de fome
Fome do que morre a roer
E matar por pecado qualquer
As unhas fincadas na pele
Que de pele e aparências estamos
Existir e ser
E estar é tempo suficiente
Dormente de toques e rosto
O desejo que de morrer lentamente
Na cama em que faz
O rangido dos dentes
Sonhar o indescritível conforto
De almofadas ortopédicas
E dedos indiferentes

terça-feira, 15 de setembro de 2015

o gosto do sal

supostamente existindo
em um infinito metafórico mar de sal
afogados em barcos de ferrugem e lama
enquanto gastamos saliva em descer
o que há de melhor fica embaixo
entre nervos e deformidades

tudo que nasce de nós é pecado
virtudes e vícios acostumados
às remelas e erudições silábicas
cantaroladas no amargor do cloro
dos labios que ridicularizam o choro
do outro que nasce de morto
de fraco caráter ou carências vulgares
esbanjando dentes e vestidos impecáveis
milagres impertinentes dos elétrons apodrecidos

sábado, 22 de agosto de 2015

a rua

a rua inunda em imundices fluorescentes
dando para trás de todos os pecados
os olhos ardem da fumaça que conforta
o mesmo tempo que não passou
guarde essa boca de mim
tire o esgoto que transborda
da borda do poço precipício e torna
a volta para casa tão solitária
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