quinta-feira, 6 de julho de 2017

nitrato de sódio

A overdose diária de voz
Que cala a sombra de dúvida
Apaga a chama e resvala
As entranhas e intempéries
Estranha sinergia que emana
Da lógica escura do acaso
Membranas e olhos avermelhados
Somos o fungo que alimenta
O sal da água parada
Bebemos da fonte sagrada
Vitaminas e minerais desperdiçados
No saborear do gozo derramado
Fazemos pouco caso do estrago
O que nos for confortável
Do mecanismo interesterificado
Da sucumbência do afago
Corpo que desliza e acalma
Óleos
Escorrem o afoito que espera
Desperta
Comprimidos e vias respiratórias
A intermitente ausência do ar
Entre dedos e notas amadeiradas
Somos a cama do outro
No mesmo quarto
Simetricamente desorganizado
Somos o próprio espaço
E nutrientes do solo pisado
Muito além das cortinas
Muito além do lado
Somos o verbo
O objeto direto
E todo o permeável silêncio
Somos nitratos

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