segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

asfalto negro

tentaram eles em recantos e abrigos dizer outras palavras que não estivessem intimamente ligadas ao sofrimento, fome e papelões manchados de merda. arriscando a sorte em trocados miúdos e goles ardentes em gargantas de fogo. choraram tarde. choraram em chuva e nas tardes pouca importância a que deram eles. deixaram descalços pés sentirem impurezas e pedras, chão e asfalto negro lhe entravam feridas dentro. atrás do que poderia ser sagrado, em virgens santas, chorando e sangrando vestes sem sexo, na disformidade que conforta, recobre e acolhe. sorriram. mas já não se ofertavam os dentes. foram trocados por comida.











leite azedo

antiácidos enfileirados
em cabeceira
destemidos os dentes frágeis
sorrindo cuidado a bocas outras
resguardando melhorias placébicas
lado de fora
cura e salvação
pendendo ao estrago
de um deus ou algo assim
plastificado
amortizando sensações baratas
ao recanto de viagens sintéticas
fibrologia explicada
fumaça e cal
em cantos recanto abrigo
fugir a massificação desmiolada
cabeças sem corpo e pernas
andaram em direção contrária
fogo queimada
cheiros e rancores
desejos deleites
imperfeitos
castigo
choram as magoas passadas
em água estagnada
no gosto amargo
da despedida








endorfina

nego colo
afago transparente
inviável
desconhecido
níveis diferentes
endorfina
somos poucos os restos
sobraram flácidos
relentos
calados
sofridos
em esquecimento
e pudor








sábado, 25 de fevereiro de 2012

toxinas flageladas



Certezas fingidas dormentes 
Descartáveis verdades incertas
Tossindo palavras amargas
Repletas de vergonha
Sem sentir nada nas mãos

O que eu disse ontem de hoje
A noite inteira antes da noite
Por pouco perto do fim
Os fatos persistentes
Forjaram nossas verdades

Promessas na hora da cama
Na hora da lama e da farra
Da foda da noite do drama

As lembranças apagadas
Memórias entreabertas
Os olhos ardentes
Cansados de tanto dormir
Morrendo de sede
Bebemos veneno
Tiramos a essência dos fatos
As consequências exatas 
Presas em falsos relatos







palavras esquecidas

algumas palavras tímidas
em gavetas trancadas
disputando em poeira
canto qualquer que seja
guardadas
esquecidas
o que um dia
escrevi sobre o amor




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

rascunho poético

vestes imundas
e cicatrizes
sorrindo escárnio
em direção oposta
aos olhos carregados
incerteza
choro apertado
dedos amarelados
sujeira aos pedaços
garrafas vazias
papeis amassados
sonhos perdidos
poesia




sábado, 18 de fevereiro de 2012

sexo das baratas

acordei
a dor de cabeça habitual
espreitava das sombras
o cérebro
tantos foram os cigarros fumados
garrafas de vinho barato
aqueles vagabundos
prostitutos doces
arranham a garganta

merda de cobertor
cheio de queimaduras

arrastando velhas sandálias
destinei eu até a boca do vaso
boca do inferno
exala seu hálito de mijo e naftalina
odiamos as baratas
tantas baratas perdidas
quanto ódio vulgar

o amor se enfiou cabeça abaixo
nenhuma saída
sem escapatória
senti um pouco de pena
mas não tomei muito tempo
o chão estava gelado demais

domingo, 12 de fevereiro de 2012

destino nenhum

você quer chegar em algum lugar
você quer deixar marcas
você quer chorar em outros ombros
você quer acreditar em religião
você se apaixonou pela ciência

você quer ir rápido demais
você quer ir devagar
você quer enxergar do outro lado
do outro lado de fora
do outro lado de dentro

você quer direções
você quer se perder
você quer falar
resmungos sem som

você quer amar
você quer odiar
você quer uma máquina do tempo

você quer os dedos
você os quer amarelos
você quer sair do lugar
sem se mexer

você quer sair de férias
você quer se cansar
você quer embriagar
você quer felicidade
mas não se importa mais

você quer um pouco de paz
implorando por guerra
inimigos de seus próprios olhos
remediados
incuráveis

você quer compania
você quer solidão
você quer uma desculpa
mas não se importa mais







quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

pecados justificados

hipotéticamente chegam ao paraíso azul e dourado e corpo reflexo naturalmente movimento em carne viva 
momentos
ode a nostalgia
dos pecados justificados
em sombra que tanto
sorriram


sábado, 4 de fevereiro de 2012

tapetes baratos

reflexo de vultos nossos
perdidos aos vidros
em pedaços e chão
poeira
nem fato que diga
fossemos diferentes
em olhos ou mãos
ou expressões faciais
desdenhamos o destino
pouco se foram os dedos
arrastados em tapetes baratos
debaixo de tanta sujeira
para trás ficaram os restos
e as doses que embriagam
não anestesiam mais












vestes alvas

enquanto tempo insiste em dizer amargamente verdades enfiadas em garganta abaixo em que esofago ou estomago não aguentem vomitaram eles em suas escadas em caminhos ordinários ordenados em fé apologia a ignorância mostram suas faces em olhares inquietos direcionados ao pouco que conforta benção dos imbecis tolos e suas máscaras disformes mordaça que fecha túmulos deseja e regurgita diversas formas de medo ou algo que se pareça caindo em mãos erradas mãos sujas e sorrateiras guardam consigo coroa de espinhos e ouro enquanto saciam os abutres em suas vestes alvas esperando menor sinal de descuido



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

farinhar

de primeira
dia outro
mesmo pesar
em manhã de escuro
aberto o céu se cala
de longe fumaça
pedaços de lenha
carvão
apressa o forno
lenha ardente
fogo brando
pouco a pouco
mói mói mói
laboriosamente
estorvo
suor que alimenta
cloretos
aperta coa aperta
torrando lentamente
por causo que
em cidade é diferente
e comida na roça
não nasce pronta








cobertores

andaram eles todos em rastros pequenos em desnorteio. seguindo cheiro que se sentia distante, impermeabilizado em cascas grossas de suor e sujeira, exalando em olhos cansados ardor outro que ficara pendurado em gargantas secas e ardidas, dia após outro. forçando moleiras contra o calor que arrebentava-lhes ombros e costas. sentiam em mãos banhadas a sangue, o rodear das moscas varejeiras, enquanto cada vez em longe se iam. ao caminho que a frente esperavam, nada aparecia. colhiam as bernes e acariciavam as chagas espalhadas em todas as partes de suas carnes vivas. descamisados em pés pelados, amamentados pelo desejo, visto em que mundo melhor o fosse, cimento e fumaça e cheiros desagradáveis. vender-se-iam corpos em filas e debaixo de escadas, duvidando de tudo que entrar frente aos seus facões e navalhas. olhos destemidos, em rostos fechados, sem sorriso e dentes. em confiança de desespero, janelas e fileiras de metal enferrujado, outros em pressa e descuido, aos papelões e cobertores queimados, diferente lugar agora este, lar.







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