quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

cobertores

andaram eles todos em rastros pequenos em desnorteio. seguindo cheiro que se sentia distante, impermeabilizado em cascas grossas de suor e sujeira, exalando em olhos cansados ardor outro que ficara pendurado em gargantas secas e ardidas, dia após outro. forçando moleiras contra o calor que arrebentava-lhes ombros e costas. sentiam em mãos banhadas a sangue, o rodear das moscas varejeiras, enquanto cada vez em longe se iam. ao caminho que a frente esperavam, nada aparecia. colhiam as bernes e acariciavam as chagas espalhadas em todas as partes de suas carnes vivas. descamisados em pés pelados, amamentados pelo desejo, visto em que mundo melhor o fosse, cimento e fumaça e cheiros desagradáveis. vender-se-iam corpos em filas e debaixo de escadas, duvidando de tudo que entrar frente aos seus facões e navalhas. olhos destemidos, em rostos fechados, sem sorriso e dentes. em confiança de desespero, janelas e fileiras de metal enferrujado, outros em pressa e descuido, aos papelões e cobertores queimados, diferente lugar agora este, lar.







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