segunda-feira, 11 de março de 2013

flor aos pedaços

a janela aberta escapava os olhares
para todos os que passavam
mundo esse de cores e desbotados
abotoaduras e ressentimentos
nada passaria despercebido
aos olhos tão cansados
verdade que o sol nasce
a quem não quer enxergar
teria medo da noite e do escuro
do beiral e das sombras e dúvidas
seguindo a voz temerosa
jogue-se
repetidamente
jogue-se
o chão é o mais confortável abrigo

sexta-feira, 8 de março de 2013

mentiras que os velhos contam

as futilidades dilaceradas do caráter
dentre todas as verdades engolidas e ruminadas
amamos ao próximo e exigimos algum objeto de troca
o sistema que nos emancipa das responsabilidades
deixa de lado todas as frustrações e comove-nos
coração e ossos e dedos ouvidos para dizer-nos o que fazer
cabeças atoladas em lama e mediocridades
estatura e coluna ereta e reflexos descompassados
dentro da armadura de zinco e pele e suor
as lágrimas que faltaram para acender o fogo
abrirmos uma clareira e passar o resto da vida
migalhando um bocado de feições e delícias
é tão comovente e demasiado simplório
a fuga da irracionalidade
onde atribuímos o que poderia ser o conceito de realidade
morrer de medo
ou continuar fingindo
com o cabelo cortado e as unhas enegrecidas
fabricando a vaidade enlatada
pensamos com nossas mentes e palavras pequenas
para esconder toda a mentira que ainda somos
insistimos em dizer que não somos mentirosos

sexta-feira, 1 de março de 2013

um punhado de moedas no bolso esquerdo

não era nada demais
apenas uns degraus
descida em direção ao tapete vermelho
soaram as cornetas e toda a cavalaria entrou em desfile
eram saltos brilhosos e vestidos amarrotados
bocas carnudas sugando seus cigarros
todas as bocas em sincronia
demos o sangue e a carne exposta ao sol
para segurar toda a vontade de rir
nem nos caíram os dentes
já mastigávamos os restos pouco a nos saciar
lascas de tinta e olhos vendados

no cair da noite
despencamos escada abaixo
perdemos o caminho de casa
e ficamos em qualquer lugar
qualquer esquina nos faria abrigo
lar dos fracos de caráter e dos apaixonados
egocêntricos e destemidos
e seguir o caminho de volta à casa
era demais esforço
ou arriscado o bastante
aceitar carona de estranhos
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