terça-feira, 9 de dezembro de 2014

nenhum sonho agradável

somos transeuntes e trocamos as pernas
famintos por caminhos desconhecidos
outros olhos que nos observam boquiabertos
são os mesmos que seguimos quando cegos
nossa verdade passa de repente a tanto tempo
de horas fazemos conforto em camas separadas
chegaremos longe demais para voltar atrás
não temos abrigo ou telhados impermeáveis
choramos um choro sem barulho e satisfazemos o ruído
roendo as unhas até os ossos
somos nosso próprio alimento
acariciamos os rostos esquecidos dos quais tanto nos negam
a vontade de martirizar nenhum sonho agradável
qualquer acordar antes de findar a humanidade
e voltarmos a parecer um pouco mais humanos

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