sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O conhecimento empírico das mãos que nunca foram lidas ou digeridas corretamente

Das mãos que de trêmulas
Disfarçam um sabor diferente
A fim de sanar os pecados do outro
Enfim
Sóbrios desleixos da noite
O escuro justifica o afoito
Meio de torto e trejeitos
Minha sombra de dúvida que habita
Mora de longe e morre de fome
Fome do que morre a roer
E matar por pecado qualquer
As unhas fincadas na pele
Que de pele e aparências estamos
Existir e ser
E estar é tempo suficiente
Dormente de toques e rosto
O desejo que de morrer lentamente
Na cama em que faz
O rangido dos dentes
Sonhar o indescritível conforto
De almofadas ortopédicas
E dedos indiferentes

terça-feira, 15 de setembro de 2015

o gosto do sal

supostamente existindo
em um infinito metafórico mar de sal
afogados em barcos de ferrugem e lama
enquanto gastamos saliva em descer
o que há de melhor fica embaixo
entre nervos e deformidades

tudo que nasce de nós é pecado
virtudes e vícios acostumados
às remelas e erudições silábicas
cantaroladas no amargor do cloro
dos labios que ridicularizam o choro
do outro que nasce de morto
de fraco caráter ou carências vulgares
esbanjando dentes e vestidos impecáveis
milagres impertinentes dos elétrons apodrecidos

sábado, 22 de agosto de 2015

a rua

a rua inunda em imundices fluorescentes
dando para trás de todos os pecados
os olhos ardem da fumaça que conforta
o mesmo tempo que não passou
guarde essa boca de mim
tire o esgoto que transborda
da borda do poço precipício e torna
a volta para casa tão solitária

segunda-feira, 29 de junho de 2015

aparatos mecânicos

o céu que de noite acalma
é de inferno infinito de horas
cabeça vazia e aparatos mecânicos
não tem os ossos e deliciosos pedaços
que repetem o ato de dormir
de fecundar camas vazias
falhas vulneráveis
erros aritiméticos
toques de recolher
queimam olhos e travesseiros
apagam as luzes e sonhos perfeitos
murmuram os feromônios
desesperadamente voz
calado
baixo tom de voz que soa
sai de minúsculos orifícios
meticulosamente assimétricos
e jamais encontram
abrigos confortáveis

quinta-feira, 25 de junho de 2015

o salvador

o mesmo andar da carruagem
trás e leva o gosto metálico
no céu da boca
nublado e sem chuva
pouco para conhecer
ler mentes vazias e portas abertas
o serviço completo o espanador
na área de serviço
o tempo passa velho de olhos cansados
o estupor trás o acalento aos nervos
espasmos e reflexos voluntários
o amarrar enrolar e o ato de enrolar
e salvar o pouco do servo
servir e virar o que passou
anestesia do anestesiado

sexta-feira, 15 de maio de 2015

onde a cabeça não dorme


estancaram-nos em cabeça para baixo
o arreio do arredio que o medo consola
dos cus virados para os céus
deus não conforta os desesperados
a terra salgada de engolindo o choro
voltar atrás é segredo que poucos
poucos os dedos e vias aéreas
temos artérias e nenhum silêncio
conforto
cabe as membranas e espasmos diários
o rancor do pigarro é o desejo do fumo
para que boca de nós só lhes cabem o lixo
cabemos em nenhum dos lugares
e tantos travesseiros

segunda-feira, 23 de março de 2015

lado direito da cama

amaldiçoaram as bocas sem fome de nada
que a lingua morde e fala dos dentes
cala-te boca que cospe pesares
era de vontade que fosse insignificar
falar demais em sonhos e olheiras
dormir nunca é o bastante
apaga-te o fogo de acordar
o cheiro atrai os carniceiros
rondam em círculos perfeitos
desenhados com sangue dos dedos
era para ontem que amanhecer
não fez tanta importancia fazer
e as contas de um mundo de lá
são pouco demais para nós
falamos errado
e cultuamos paroxítonas
o pecado não é o alimento
é o ato de alimentar

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

para que tanto dormir

faz de mim o fundo onde pisas e encontra chão
que conforto melhor em cobertores de outros
lâmpadas fluorescentes e caminhos acesos
o melhor do dia é o relógio
das horas amargas e tragos infinitos
o que de nós procuramos saída
letreiros e neon
temos um pouco de vontade
e dormir é remédio
sonhar nunca fez bem ao sacrilégio
de fechar os olhos ser o almejo maior
cobrir o rosto e os pés
para que monstro nenhum consiga entrar

intragável conforto

devoro o pouco que resta do desespero
e respirar a sua carne embebida em suor
o medo do caçador é o maior dos pecados
estalar os dedos e ter o mundo nas mãos
temos o infinito de memórias em pedaços
colados religiosamente na parede
e todos os enfeites que nos fizeram andar
a rua é casa de roupa nenhuma e alguns trocados
somos de um jeito ou de outro os devaneios errados
não cabemos nos mesmos frascos de pendurar
fumamos pouco e o oxigênio que em casa casa
tornamos a droga o esquecer é a morte
o melhor momento em que poderíamos sonhar
se soubessemos fechar os olhos para que nada aconteça
mas a noite mostra seus amarelados dentes
para que devoremo-nos em carne viva e feridas
somos abertos a todos os caminhos escuros
mas as pernas que não fazem sufocar o esforço
andam de pouco em pouco para debaixo da cama
e o mesmo lugar de sempre era o mais confortável

bactérias inteligentes

o trem na plataforma dois acabou de chegar
vinte e sete dias atrasado
não teria o que sobrar deste lado
o terreno que não sente saudade de quem pisa
com os pés descalços e inflamados
a bactéria que corrói a sabedoria
cria de novo o verdadeiro monumento
mundo que traça as horas e espaços
os livros esburacados
em todas as salas vazias e cadeiras empilhadas
os jornais pela manhã e o cheiro do café resfriado
no menor dos cuidados e acontecimentos aleatórios
ter mais o que fazer do mesmo sempre
o mesmo palpitar de sabores retardados
como que os finais felizes jamais contados
onde em que nunca existiu o principe
e a princesa sempre morre

a melhor moradia

não era nada demais e alguns trejeitos insuficientes
o construir do muro que acima não deveria chegar
o rangir dos céus que abertos trazem a chuva
de dentes a boca que cansa de suplicar
perdoar o espelho indiferente
que tanto digere as lágrimas de respirar
nada que sobra entre o agora e o sufoco
ter nas mãos o infrutífero desgosto
de ir embora em todos os frutos coitos
dos ventres afogados aos prantos de outros
meus que se calam e tendem o suposto
desconhecer quem pudera o mínimo esforço
por mais que escavar o devaneio laborioso
em pá de metal retorcido e ferrugem
não conhecerei o amanhã

conjuntos verbais

o infimo fio que tece incertezas
menospreza o acaso e incumbe desdenhos
não certamente o enfático ressalvo ao desgosto
era gosto demais para poucos pares de língua
machucado demais e coleções de selos perdidos
o dissabor da íngua e o amargo do choro
as horas perdidas que passavam depressa
o tempo que salva nada em reclame do agouro
o amor de boca pra fora que respira e afoga
que respirar o ar é devaneio imundo
o saboroso humano que mais que tudo respira
faz da boca o algoz ante ao fulguroso mundo
sou de boca do lixo e amor de esgoto
sou de boca à fora e por lá que em for
dormirei em paz

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

água régia

teu cloro em formato de corpo que forma
cores e chora o amargo que entorna da água régia
tanto em não beber e matar a sede de ontem
correr no mesmo lugar dos passos impacientes
o passar do tempo ainda contado em relógio
paredes e teto sabem de todas as danças
e da melancolia da cama
vazia
do lençol ser vitima de tantos passados
que nem foram ainda por o trem
a estagnação mesmo o quanto infinita
na medida bulímica para imediatos
ser o ato e ter tudo o que puder carregar
era só o perfume que ficara
em mãos escarnificadas de tanto lavar

ponto continuativo

cortei fora minhas asas quando aprendi a voar
o caminho de volta para casa já é outro
cansei de respirar o ferro em meus pulmões
tenho horas ainda para permanecer acordado
e lembrar de um mundo que não é meu
o que o dia me trás mesmo eu que possa roubar
roubo de mim e deixo do lado de fora da porta
na calçada debaixo do tapete onde não tenho convite para entrar
é por ali a sorte mais duvidosa tirada em mãos trepidantes
de medo do agora e de morrer do que for para verdades de outros
fazer de conta que a estória sempre acaba
e encanta os tantos infinitos finais felizes
no melhor deles que espero o fim
para que enfim de mim
um ponto por
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