quarta-feira, 1 de agosto de 2012

o saborear dos ratos


aparatos delicados entalho ternuras febris
em armaduras de linho e cobre
o corte de faca que serra os punhos
as verdades suicidas jorram feito sangue
alimento-me dos minerais
querer demais e ter nada não ter
o caminho encontra sempre onde acabar
em troncos e pedras pontiagudas
escravo de uma singela amargura


nada ter ou ser alguém se mesmo fosse
seria o que afinal?


quantas horas perdidas em desencanto
palavras doces acusam as cáries
a culpa é de quem colocar
primeiro as mãos
depois toda a fragilidade aparece
destilada em taças de vidro
se fingir pudesse ser
muito diferente do agora
a sede que mata transborda
e os ratos fazem a festa


sirvam-se o precioso banquete
foram as carnes e o desespero entalado na garganta
a melhor parte fica para depois
do coração seus átrios e ventrículos
lembranças sempre morrem no final

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