terça-feira, 13 de agosto de 2013

a luz fria de baixo consumo da poesia sem valor semântico

acordado em cafeínas e cigarros baratos
rastejo pela lama dos meus sapatos
guardados
escondidos
estagnados de tanto andar em círculos
desprezando o céu sobre minha cabeça
o melhor caminho
é o que apresenta os piores resultados
sou fruto ingrato
da mãe natureza morta
em copos plásticos e espelhos portáteis
invejo meu reflexo em dentes dos outros
tantos sorrisos inacabados

em legitima defesa
mortificamos as palavras
os amores santificados
todos os meios amargos de sobreviver

nos olhos vermelhos
escondo os farrapos
já estive por esses lados
jesus leu sobre o que dizemos dele
gostou dos advérbios
perguntamos sobre nietzsche
sobre a nuvem de fumaça
o canto magnifico dos roedores
dos mortos de fome
o metálico som de sangue descendo a garganta

estivemos mortos por todo esse tempo

não gostamos da escuridão
temos medo dos monstros atrás do armário
debaixo das camas
das esquinas perfumadas de amônia

fomos nós que costuramos facas em nossas mãos

todos os argumentos acabaram
crucificamos nossas melhores verdades
até os ossos cansarem
era demais estar ali por tempo que fosse
ainda teríamos nos matado

guardamos as unhas para depois
ainda assim saímos ilesos
delicadamente indefesos
paradoxos perfeitos
toda a sujeira foi empurrada
para debaixo do tapete

onde fazemos cama
só dormiremos de manhã

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