quarta-feira, 4 de abril de 2012

tornozelos

as portas se abriram e todas as verdades lhe cairam meio a pernas e colo atribuindo ao sexo sua vergonha costumeira. cansado de esperar em outras horas quantas fossem, em costas e mãos desconhecidas, desmentiu o fracasso e chorou lágrimas invisíveis. não chorou nem pouco o bastante que notaram a distância. carregando o fardo secular, sugando sua medula e ossos fora a pele, deixou escapar beleza de tantos sorrisos e vontades passageiras. mas a felicidade nunca lhe foi problema. nem remédio para a tosse impertinente. olha agora em olhos diferentes mágicos que acalmam brônquios, átrios e membranas. o filho que tanto esperava perdeu-se rumo em tempos contrários. escapou a dedos a razão metafísica, silencioso e conturbado coração que mágoas não carrega por nada. nem as grossas correntes que lhe arrancavam feridas a céu aberto em tornozelos fizeram desistir de tentar. quando outros lhe abriram barrigas e palavras doces em gotas de orvalho e saliva, o caminho melhor seguiu. oposto ao raciocínio, aos amontoados juízes da moral. se deliciou em maus costumes e gozou como nunca antes o fizera.

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