quinta-feira, 28 de julho de 2011

noite

noite serena noite
dama de preto
que afaga e  assombra
conforta os mais profanos
pesadelos meus
segredos soturnos rasteiros
cópula do amor e do medo
noite inquieta noite
dona da sorte incerteza
voz oculta que sussurra o abismo
a queda imprecisa e lunática
transborda de dor e tormenta
e me acolhe em perturbado sossego

com o frio escaldante do escuro
escondendo a sombra nos olhos
me guia por onde me perco
sedutora incansavelmente voraz
me chama me morde me prende
donzela de solidão
beija-me a face
escorre o perigo dos lábios
penetra em minha alma dormente
e depois do gozo me deixa

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