terça-feira, 13 de novembro de 2012

colar de ossos


nos tornamos máquinas pintadas de preto
em um dia ensolarado qualquer
todos os dias não passam de um vazio eterno
um fundo de verdade em cada sorriso amargo
outras formas de vida que não respiramos
os fracos não tem vez por essas bandas
seguiram o curso da história e fizeram a sua parte
ofertando suas cabeças aos deuses

choro que deixa o rosto coberto de fuligem
deixa para lá esquecido em meio a tanta gente
passos apressados em direção a enorme mandíbula
somos todos devorados por dentes metálicos de lobo
nossas peles perderam a proteção
e não passamos de cordeiros morrendo de fome
a espera de mais uma migalha de pão

faz de conta e conta a distância que é preciso percorrer
até encontrar a superestimada felicidade
ninguém precisaria de tudo isso
um afago ou alguns dedos a mais ou minutos
tantos cadeados em portas e janelas
o caminho mais seguro fica para o outro lado
e ainda assim precisamos envelhecer cada vez mais

queremos ternos caros e viagens sem sentido
tanto fazemos isso parados em qualquer lugar
pelo menos um cigarro
para trazer de volta a velha autoestima
de que adiantaria o pigarro
sem que nos sufocasse 
com seus dedos entrelaçados na garganta

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