segunda-feira, 26 de novembro de 2012

os filhos da tecnologia


eu não escuto a minha voz
ela se foi com a porra das horas
passam rápido e deixam vestígios
os sorrisos servem apenas para mostrar os dentes
quem pode ornar a boca de palavras e merda
dentes servem para mastigar
ranger e chorar e implorar por algum tipo de perdão
nenhum motivo agravante
que acabe por si só
sozinho e lamentando as perdas e cáries
veremos talvez um muro cinza e umas pessoas babacas
estão em todos os lugares
decorativos e adestrados
não queria livros na estante ou videogames
nem bocas e cáries e aneurismas
simpatizante do acaso inacabado
simetricamente desestimulados
ainda não inventaram a energia necessária
rir e foder a paciência de todos
lamber os dedos e a tampa metálica
vesti o prazer em poucas palavras
escondendo vergonhas e fracassos
tudo isso em troco de nada
algumas balas de menta balas
derretidas no bolso do pouco e ali e aqui
era ali o canto silêncio e o fato consumado
consome e queima como acreditasse no inferno
e no inferno dormir eternamente
com toda a preguiça que resta
toda a incerteza que basta

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