quarta-feira, 28 de março de 2012

circuito interno


rabisco em tantos cadernos quantos forem
todas as descrições do saber
não preciso saber
tudo passou de mal entendido
desentendimentos e semelhanças
duas palavras adoráveis
as cicatrizes
em meus pulsos malditos
dedos cansados de doer
esperam o tempo que for
no que digo da boca para fora
no que penso em dizer
roí todas as minhas unhas
e ainda não são nem quatro da manhã
acabaram as luzes
e vozes que assustavam as crianças
correndo soltas por caminhos opostos
ruas e avenidas
criei direções contrárias
fiz de fato 
pouco caso da saudade
conversei com ela em silêncio
as imagens circulam
em televisores coloridos
o que nada esteja em baixo dos tapetes
tanta sujeira e nenhum aspirador
digo calado o que quero ouvir
mesmo que voz minha não reconheça
amarei a tantas pessoas desconhecidas
estranhos e suas faces censuradas
mas sempre volto a mim
sempre pelo caminho menos longo

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